sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Confins da Terra"


“Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias” - Pablo Neruda


“Confins da Terra” é o significado de “Chile” na língua indígena aimará, e traduz literalmente o forte isolamento enfrentado pelo país durante séculos.
A “tira” de mais de 4.000 km de extensão e largura média inferior a 200 km, ajustada entre o frio Oceano Pacífico e a mais fria ainda Cordilheira dos Andes, expõe e ao mesmo tempo isola o país, depende do ponto de vista...sempre.
Para a vinicultura é um paraíso só, e faz algum tempo que os chilenos descobriram isso.
A videira chegou no Chile da mesma forma que chegou no continente inteiro, para servir a liturgia católica da Eucaristia.
Assim como nos demais lugares, entre 1548 e 1850, a cultura da uva foi e voltou, progrediu e regrediu, chegou a ser proibida, porém quase nunca respeitada, a independência em 1818 foi um marco para o progresso.
Até aí então, a uva mãe era a “País” e a jovem “Moscatel” começava ser plantada para a produção do destilado vínico conhecido como “Pisco”, conhece? Uma delícia !!!
Porém muita calma neste momento, pisco é feito de uva mas não é vinho, são 40º de teor alcoólico e não 13º, 13,5º, o exagero pode se tornar cabuloso........
Podemos chamar de 2º marco da vinicultura chilena o ano de 1851 com a chegada das viníferas francesas, plantadas no Maipo
O Chile então estava pronto para se tornar o que ele é hoje.
17 milhões de habitantes consumindo “per capita” cerca de 16 litros / ano, quinto maior exportador de vinhos do mundo, não só reconhecido como o melhor produtor de vinhos de qualidade de baixo e médio preços, mas também dono de alguns ícones mundiais.
Para mim o melhor Cabernet Sauvignon do mundo é chileno, é para matar qualquer vizinho sul-americano de inveja.
Para um país pequeno, de poucos recursos naturais, a indústria do vinho é vital para a sua economia e para o seu progresso, e tudo indica que governantes e produtores locais entenderam isso muito bem.
O marketing é agressivo, é preciso reconhecer, se aproveita de uma regulamentação frouxa, e acaba usando e abusando de termos e adjetivos que confundem o apreciador menos atento.
Super Premium, Premium, Gran Reserva, Reserva, Reserva Especial, Selección, Reserva de Família, Superior, Clássico, Reservado......ufa!, até podem estar ligados a mais ou menos guarda em barril e garrafa, mas nem sempre, nem sempre companheiro..........
Um exemplo positivo, veja o que eles fizeram com a Carmènére, um assunto para mais tarde.
Descontado isso, a visão de mercado do chileno é admirável, e suas políticas relacionadas com o mundo do vinho estão levando o país para o patamar onde estão França, Itália e Espanha.
Sem falar na verdadeira obsessão pelo aprendizado, pelo conhecimento, pelo uso das novas tecnologias,pela adequação do produto aos gostos do mercado,e naturalmente pela qualidade.
Eu já tinha vivido e visto isso em outro segmento vital para os chilenos, o de produtos florestais, mas mesmo assim me surpreendo todos os dias com a garra deste povo.
Muitos costumam dizer que eles foram favorecidos pela sorte, pela natureza, e tudo mais, vá lá, mas eu prefiro acreditar na capacidade do produtor chileno de entender o cenário em que ele atua, e assim acertar muito mais do que errar.
Acho que a última barreira para eles atingirem o topo da pirâmide está no melhor conhecimento do potencial de cada um dos seus diversos “terroir”, isto sim uma benção de Deus, aí um abraço companheiro.
“Nunc est bibendum,” um Almaviva que eu mereço.
Até breve, Bacco a seu dispor

Thanks : Amarante, Viotti, Jancis.............................Neruda

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