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quinta-feira, 1 de maio de 2014

EpC - "Esse é pra Casar"


Existem alguns vinhos que por diversos motivos são classificados como “icônicos”, o português Pêra Manca é um deles, tem muita história e tradição, o tinto na minha opinião “não vale tanto quanto pesa”, ou seja, é caro para o que oferece, deita e rola na fama, já o branco é muito mais honesto e coerente com a sua proposta, agrada muito, ótimo vinho! 

Pêra Manca – 2009
Évora – Alentejo - Portugal
Acl. = 13,5%
Bacco – 91 pontos

12 meses em contato com a borra fina, carvalho francês, + 6 descansando na garrafa, essas são as assinaturas desse branco encorpado de muita personalidade que enche a boca. Tem uma expressão aromática ampla e complexa, as frutas são maduras, a acidez não deixa enjoar, as ervas estão presentes, a madeira na medida certa, o álcool bem integrado, é um vinho branco longevo que melhora com a guarda.  
Esse eu comprei com a Heloisa na Vino do Mercado Municipal de Curitiba, é um vinho na casa dos R$ 180,00....

 “Nunc est bibendum”, parabéns e meu muito obrigado aos patrícios.........
Até breve, Bacco a seu dispor.

obs: O tinto ultrapassa R$600,00 e vende bem apesar da minha opinião... 

domingo, 14 de agosto de 2011

Até breve Portugal!


“ao gozo segue a dor, e o gozo a esta
Ora o vinho bebemos porque é festa
Ora o vinho bebemos porque há dor
Mas de um e de outro vinho nada resta”

Fernando Pessoa

De volta a Portugal para dizer até breve......mas já com saudades.
Depois do Douro (os dois), Vinhos Verdes , Alentejo, e antes do Dão, Bairrada, Setúbal, e demais regiões, quero falar um pouco sobre o sentimento que se instalou em mim sobre o Portugal dos dias de hoje.
Neste meu retiro lusitano, lendo, estudando, conhecendo, e bebendo seus vinhos, de alguma forma cheguei muito mais perto de Portugal agora do que naqueles tempos idos, onde tínhamos que aprender sobre o país e seus personagens, do descobrimento à proclamação da república, nas intermináveis aulas de História da professora Januária ( saudades da Janú ).
Conheci Cabral, Caminha, Cubas, o Brás, o Infante, o Anhanguera, a dupla Nóbrega e Anchieta, Afonso de Souza, o Martin, D. João, a louca D.Maria, os Pedros, Isabel e seu Conde, o velho Bonifácio, e tantos outros, sem adquirir o devido respeito ou admiração por qualquer um deles, ou pela sua trajetória. ( mea culpa !?)
Quantas vezes me peguei torcendo pelos holandeses.
Passados quase meio século daqueles dias de colégio Olavo Bilac (salve prof. Everardo), este meu nascente interesse pelo mundo do vinho e tudo mais que ele agrega, colocou Portugal ,os portugueses, e uma parte das suas tradições e cultura no meu caminho novamente.
E junto com esta experiência um sentimento gostoso de admiração (até então inédita), ungido pelo esforço conjunto de uma nação para colocar a marca Portugal em evidência, numa clara intenção de se mostrar para o mundo como um país produtor de vinhos de qualidade. (.....“Wines of Portugal, uma iniciativa de 75 milhões de euros para promover o vinho nacional fora do espaço comunitário,.......)Repetindo a “wine master” Jancis Robinson, o mundo do vinho de hoje é muito mais do que história e tradição, as pessoas bebem só o que gostam, só pagam pelo que realmente acham que vale, e exigem qualidade, e me parece que nossos patrícios estão atentos para isso.
O vinho europeu de melhor relação qualidade preço vem de Portugal.
Para mim em especial, o prazer que sinto hoje ao beber um vinho português extrapola sua qualidade intrínseca, ele vem carregado de um sentimento diferente, de uma emoção nova de estar (re) descobrindo quem justamente nos descobriu, são nossos profundos e históricos laços culturais aflorando de uma maneira distinta, uma admiração emotiva que me enche a alma.
Bacco, e o Dão, Bairrada, Setubal, Tejo, como é que fica ?
Paciência, vai ter que ficar para a próxima, são muitas as emoções ( epa! )
“A emoção da admiração é a base do nosso desenvolvimento como pessoa” – de uma psicóloga que admiro muito
“Nunc est bibendum”
Bacco a seu dispor...........................

Thanks : (saudoso) Sergio de Paula Santos,Jancis,....Táta (!)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Um caso de amor.......



Amor a primeira vista ?

Sem sombra de dúvida, uma região sofrida, e ao mesmo tempo desafiadora.....
Considerada uma das mais pobres do país.
Enorme (30% do país) e desabitada (5% do país).
Vista por lá como terra dos caipiras e matutos (lá também tem disso..).
Uma forte cultura popular.
Com paradigmas de sobra, e sonhos de menos (povo simples e tranqüilo).
Uma planície sem fim e por isso dona de um clima improvável.
De Pombal (o Marquês) a Salazar (o Ditador), séculos de dificuldades....
Contabiliza ao longo destes (muitos) anos de história, mais de um fracasso na tentativa de se tornar uma região vitivinícola reconhecida,dentro e fora do país......
Muito além do rio Tejo............... O “ALENTEJO!”
“Quando o viajante acordou e abriu a janela do quarto, o mundo estava criado. Era cedo, ainda vinha longe o sol. Nenhum lugar pode ser mais serenamente belo, nenhum o será com meios mais comuns, terra larga, árvores, silêncio” – José Saramago
Pois é, e então, porque, raios me partam, em se tratando de vinhos portugueses, como eu posso explicar minha preferência pelos vinhos alentejanos........
Um caso de amor, simples assim.............
Segundo a Dama dos Champagnes, “na industria vinícola, difíceis são os primeiros 200 anos”, o que dizer de uma que tem apenas 22 anos (data da demarcação).
Produtores dinâmicos com “veia empresarial”, mas desde o início comprometidos com a qualidade.
Modernidades bem aceitas e tecnologias bem empregadas.
Um corte de uvas adaptadas ao terroir de enorme potencial ( Aragonês,Trincadeira e Castelão).
Uma grande ajuda da Alicante Bouschet..(é preciso reconhecer).
Quebra de paradigmas com o cultivo de francesas (Syrah & Cabernet Sauvignon) no país da diversidade de castas nativas....
Este me parece ser o caminho de sucesso do Alentejo e dos seus vinhos em particular............
Mais uma boa organização (CVRA) apoiando os produtores, além de um marketing correto, necessário diga-se de passagem.
E não menos, ter o Brasil como parceiro importante.
Segundo um texto da The Wine Economist, o sucesso de uma região está associado à construção de uma narrativa, o Alentejo está construindo a sua, baseada na elegância e no frescor, vinhos prontos para serem apreciados......( e bebidos !).
Confesso que no momento tenho me dedicado a degustar portugueses até em detrimento de outros, (a Bia já está perdendo a paciência) e confesso mais ainda, de cada 3 portugas, 2 são alentejanos.
Um caso de amor, simples assim.............
“Nunc est bibendum”, um regional alentejano por favor.
Bacco a seu dispor...........................
Respeitando o gosto de cada um, e a subjetividade das escolhas, arrisco algumas sugestões alentejanas para serem confrontadas pelos mais diversos paladares (e bolsos)......Montes Claros Reserva, Altas Quintas Crescendo, Herdade São Miguel Reserva, Cortes de Cima Reserva, Chaminé, Herdade do Esporão Reserva, Herdade do Esporão Syrah, Herdade do Esporão Alicante Bouschet, Cartuxa, EA, Monte Velho, Alandra, Malhadinha, Monte do Pintor, Herdade do Mouchão, Dolium, Paulo Laureano Clássico, Tapada de Coelheiros....entre outros.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Coração Lusitano


Ah, todo o cais é uma saudade de pedra ! (Fernando Pessoa)

Chegou a hora !, não dá mais para enrolar !, mala pronta, passaporte na mão, vistos, vacinas, ajuda garantida dos universitários, digo dos especialistas e coisa e tal , depois de alguns (vários) adiamentos ( tanino, terroir, velhonovomundo, etc), vamos começar nossa viagem pelas principais regiões vitivinícolas do mundo.
Viajar através da leitura (pretensão à parte), pede mente e corações abertos, esta é a melhor maneira de você poder fazer e principalmente ser parte da história.
Uma taça de um vinho de referência de cada região visitada pode ser de uma ajuda valiosa para o sucesso da nossa empreitada, fica aqui desde já como sugestão............................
E então, por onde começar ?
Pelo Brasil que tanto vem lutando para melhorar seus vinhos e diminuir o preconceito ?
Pela França, país ícone do Mundo do Vinho ?
Pela Itália onde tudo que se come se bebe com vinho !
Pelos mais exóticos, NZ, Austrália, África do Sul ?
Pelo Chile tão presente nas prateleiras dos nossos supermercados
Pelos USA e seu “way of life”
Pela Argentina,... ok podemos deixar os hermanos para mais tarde
E eu escolhi Portugal ! e acho que tenho mil razões para tal, veja se vocês estão de acordo com algumas............
- Pedro Alvares Cabral e sua descoberta das terras do pau brasil ( mesmo quem não acredita que ele foi o primeiro )
- Martin Afonso de Souza, com suas ( e nossas ) primeiras mudas de uva ( não deu muito certo, tudo bem, tivemos que começar tudo de novo com o “nono” e a “nona”, desta vez pelos pampas gaúchos , mas isto é uma outra história....)
- Seu Manoel, aquele adorável português dono da padaria da esquina e do melhor pãozinho quente que eu já comi na vida!
- Portuguesa de Desportos, único time na década de 60 que eu e muitos santistas daquela época respeitávamos ( alguém se lembra do príncipe Ivair?)
- Roberto Leal (“ ai cachopa, se tu queres ser bonita, arrebita, arrebita, arrebita” ) e de quebra um dos autores do hino da Portuguesa
- Fernando Pessoa, para quem ser poeta e escritor não constitui profissão mas sim vocação....
- Norberto Souza Pinto, campineiro ilustre, morador da rua Lusitana, sangue português e meu querido avô (saudades!)
- Alcatruz, Antiquarius, A Bela Cintra, Portucale, Rei do Bacalhau, Seo Gomes... Adegão Português, Bacalhau do Rei, e todos os ótimos lugares onde se come o bacalhau dos nossos sonhos
- João Pedro Resende, português de Aveiros e meu mais novo genro ! (seja bem vindo )
- Uma, muitas, todas as piadas de português.......que nos fazem rir, coisa tão boa para a saúde como uma taça de vinho.
Que tal, valeu ?, estamos de acordo então ? Começamos pela terrinha ? OK !
Legal, nos próximos capítulos vamos ver o que os patrícios vêm fazendo pela sua industria do vinho ( tem muita coisa boa aí ), e saber porque os vinhos portugueses são os vinhos do Velho Mundo que mais crescem em presença ( e preferência) aqui entre nós
Em “7 atos” vamos visitar Vinhos Verdes, o Douro, a Bairrada, o Dão, Lisboa, o Alentejo, e Setúbal,e também vamos esquecer do Casal Garcia, do Gatão, do Calamares e do Matheus Rosé.............combinado ?
Ficamos assim então........
“Nunc est bibendum”, aproveite e comece com um bom vinho português...
Até bem breve, Bacco a seu dispor