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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Don't cry for me Argentina


“O enólogo é um poeta mas ao invés de montar versos com palavras utiliza uvas” – Ernesto Catena

 

 Às vezes ainda me pego a refletir, como teria sido minha vida até os dias de hoje se eu não tivesse prestado atenção em Michel Pouget e principalmente Domingo Sarmiento.
O ano era 1853! e este francês que eu mal conhecia aparece lá em casa com um desafio estarrecedor “ você gostaria de ir comigo para Mendoza, fica na Argentina, lá do outro lado do mundo.............
O quê? você está louco! veja bem se eu preciso deste tipo de aventura, todos me respeitam muito aqui em Cahors, sou quase uma celebridade local, além disso tenho amigas importantes em Bordeaux também, somos íntimas mesmo, até me chamam pelo apelido de Côt.
Quem teve esta idéia maluca? Completamente sem sentido.
Um tal de Domingo Faustino Sarmiento, influente por lá, ele me disse que pode transformar você em uma “superstar”, mais do que uma celebridade local, uma celebridade mundial, um verdadeiro ícone.......
Será?????, como? de que jeito? o que eu preciso fazer?
Simples, se deixar levar pelo seu verdadeiro potencial, aliás que por aqui poucos reconhecem, imagine amiga de gente importante em Bordeaux!, papel de coadjuvante, é isso que você deseja para seu futuro?
Meu verdadeiro potencial, como assim?
É o seguinte, concentre-se, aproveite ao máximo as excelentes condições do clima da região, aprecie a vista e acredite nas pessoas que estarão à sua volta, elas cuidarão de você com carinho, e aí então.........
Aí então o que ?
Ora, aí então seja você mesma, mostre-se densa, exale seu perfume mágico, seja delicada também, faça - os sonhar com lindas frutas maduras, cerejas vermelhas, apetitosas ameixas pretas, seja macia e sedosa como nunca, mas não perca sua força, sua potencia, apimente quando for necessário, exagere até em alguns momentos, mostre o corpo que tem.....
 Puxa você vê tudo isso de mim?
 Claro, mas só se você for para lá, por aqui você não chega nem perto destas qualidades
Ok, você me convenceu, quando partimos? Adeus França querida...
Já, sem perda de tempo, vamos você não vai se arrepender, você vai é vencer, vencer entendeu!...................................
Pois é gente, como seria minha vida sem esta decisão, lá se foram mais de 150 anos! olha que nem sempre foi o paraíso que eu pensei que seria.
Imaginem vocês, passados mais de um século da minha chegada à Mendoza, os argentinos em um verdadeiro acesso de loucura total, resolveram acabar comigo, me tirar de suas memórias, e por muito pouco não conseguiram seu insano intento.
Não tenho a menor idéia de como me salvei, mas felizmente sobrevivi, e pude mostrar a todos quem estava errado naquela oportunidade, eles é claro.
Hoje sou tudo aquilo que me disseram que eu poderia ser, minha figura é emblemática em toda Argentina, os hermanos me amam, e eu retribuo com muito carinho, sempre atenta aos resultados que posso oferecer, enfim este é o meu verdadeiro lar, estou em casa e nem penso em voltar........
Virei celebridade de verdade, com direito até a dia mundial em minha homenagem, 17 de Abril !
Obrigado Pouget, obrigado Sarmiento, obrigado Argentina, ...(you don’t need to cry for me.......................)

Muito prazer, mon nom....? MALBEC!

“Nunc est bibendum”, lembranças para as minhas amigas de Bordeaux!
Até breve, Bacco a seu dispor................

obs: post publicado anteriormente em 17/4/2013
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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Don't cry for me Argentina!


“O enólogo é um poeta mas ao invés de montar versos com palavras utiliza uvas” – Ernesto Catena

Às vezes ainda me pego a refletir, como teria sido minha vida até os dias de hoje se eu não tivesse acreditado em Michel Pouget e principalmente Domingo Sarmiento.
O ano era 1853! e este francês que eu mal conhecia aparece lá em casa com um desafio estarrecedor “ você gostaria de ir comigo para Mendoza, fica na Argentina, lá do outro lado do mundo.............
O quê? você está louco! veja bem se eu preciso deste tipo de aventura, todos me respeitam muito aqui em Cahors, sou quase uma celebridade local, além disso tenho amigas importantes em Bordeaux também, somos íntimas mesmo, até me chamam pelo apelido de Côt.
Quem teve esta idéia maluca? Completamente sem sentido.
Um tal de Domingo Faustino Sarmiento, influente por lá, ele me disse que pode transformar você em uma “superstar”, mais do que uma celebridade local, uma celebridade mundial, um verdadeiro ícone.......
Será?????, como? de que jeito? o que eu preciso fazer?
Simples, se deixar levar pelo seu verdadeiro potencial, aliás que por aqui poucos reconhecem, imagine amiga de gente importante em Bordeaux!, papel de coadjuvante, é isso que você deseja para seu futuro?
Meu verdadeiro potencial, como assim?
É o seguinte, concentre-se, aproveite ao máximo as excelentes condições do clima da região, aprecie a vista e acredite nas pessoas que estarão à sua volta, elas cuidarão de você com carinho, e aí então.........
Aí então o que ?
Ora, aí então seja você mesma, mostre-se intensa, exale seu perfume mágico, seja delicada também, faça - os sonhar com lindas frutas maduras, cerejas vermelhas, apetitosas ameixas pretas, seja macia e sedosa como nunca, mas não perca sua força, sua potencia, apimente quando for necessário, exagere até em alguns momentos, mostre o corpo que tem.....
Puxa você vê tudo isso de mim?
Claro, mas só se você for para lá, por aqui você não chega nem perto destas qualidades.
Ok, você me convenceu, quando partimos? Adeus França querida...
Já, sem perda de tempo, vamos você não vai se arrepender, você vai é vencer, vencer entendeu!...................................
Pois é gente, como seria minha vida sem esta decisão, lá se foram mais de 150 anos! olha que nem sempre foi o paraíso que eu pensei que seria.
Imaginem vocês, passados mais de um século da minha chegada à Mendoza, os argentinos em um verdadeiro acesso de loucura total resolveram acabar comigo, me tirar de suas memórias, e por muito pouco não conseguiram seu insano intento.
Não tenho a menor idéia de como me salvei, mas felizmente sobrevivi, e pude mostrar a todos quem estava errado naquela oportunidade, eles é claro.
Hoje sou tudo aquilo que me disseram que eu poderia ser, minha figura é emblemática em toda Argentina, os hermanos me amam, e eu retribuo com muito carinho, sempre atenta aos resultados que posso oferecer, enfim este é o meu verdadeiro lar, estou em casa e nem penso em voltar........
Virei celebridade de verdade, com direito até a dia mundial em minha homenagem, 17 de Abril !
Obrigado Pouget, obrigado Sarmiento, obrigado Argentina, ...(you don’t need to cry for me.......................)
Muito prazer, MALBEC
“Nunc est bibendum”, lembranças para as minhas amigas de Bordeaux!
Até breve, Bacco a seu dispor................

domingo, 9 de outubro de 2011

"5 malbec's do peru!"


Durante este tempo todo, Bacco por razões que até ele desconhece, evitou comentar aqui no seu espaço predileto, sua participação como confrade da “Bacco Ubriaco”
Mas o encontro festivo de nº200, talvez até pela marca, merece ser compartilhado com vocês
Lá fomos nós confrades para um “jantar harmonizado” tendo pela frente 5 Malbec’s de respeito, dá só uma olhada:
Cobos Malbec 2005, Perdriel Mendoza, 15%, fantástico, mastigável, gastronômico até a alma, taninos educadíssimos, 15% de álcool bem distribuídos, com potencial para enfrentar qualquer prato que viesse pela frente.
Nicolas Catena Zapata 2006, Luján de Cuyo Mendoza, 14,8%, elegantíssimo, um legítimo Catena, orgulho argentino, escurão, potente, encorpado, sem deixar de ser sedoso, aveludado, um final longo que fica guardado na memória por muito tempo.
Achaval Ferrer 2008, Luján de Cuyo Mendoza, 13,5%, vinho conhecido, premiado, elogiado pelos especialistas, sem dúvida outro legítimo top Malbec, porém a esperada explosão de aromas, aquela complexidade no paladar, não aconteceu, desconfio que abrimos muito cedo este 2008, mesmo assim mostrou sua origem nobre.
AVE Gran Reserva 2007, Perdriel Mendoza, 14,8%, não é a primeira vez que este Malbec surpreende, vinho correto, equilibrado, boa tipicidade, fácil de gostar, bem mais barato do que os 3 aí de cima, harmonizou muito bem com os pratos servidos.
Finca El Origem Gran Reserva 2008, Valle Del Uco, 14,8%, não é que decepcionou, bom vinho, tudo no seu lugar, mas apresentou uma simplicidade exagerada em se tratando de um Gran Reserva, meio tímido não se mostrou inteiramente para nós.
Quanto aos pratos, veja a lista de opções e o tamanho do desafio destes vinhos, todos apreciados a cegas
Entradas : Salada Verde com queijo de cabra, Carpaccio de Surubim, Espetinho de Kobe
Pratos: Stinco de Javali com risoto de lingüiça húngara, Entrecote maturado ao molho de trufas negras e purê de mandioquinha, Confit de pato ao molho poivre, Ravióli de Muzzarela e tomates frescos
Sobremesa : Creppe de nutella
Os 5 Malbec’s, cada um da sua maneira e com as suas qualidades individuais deram conta do recado com sobras, os 3 primeiros podem ser considerados caros (acima de R$300,00), os outros 2 custam um pouco menos de R$100,00, “tipo Best-Buy”
A festiva de nº 200 da Bacco Ubriaco vai deixar saudades..........
Explicando o “do Peru” do título para a geração Steve Jobs :top de linha, sensacional, fora de série, líder de mercado, único, the best, assim tipo “iWine” ...............
“Nunc est bibendum”, thanks Steve...bye.
Até breve, Bacco a seu dispor

Thanks : Confrades.......................

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Uma Saga Brasileira - Mil vezes Merlot!


“O espírito é variável como o vento....
Mais coerente é o corpo, e mais discreto......
Mudaste muitas vezes de pensamento......
Mas nunca de teu vinho predileto....”
(Álvares de Azevedo,escritor – 1831- 1852)


Não são poucas as vozes especialistas que elogiam o espumante brasileiro, e ele é bom mesmo. (esqueçam o Prosecco por favor.)É aquela questão do tal de “terroir”, o produtor atento observa que uva, solo e clima se entendem bem, se aproveita de todas as maneiras desta harmonia e elabora um vinho de qualidade.
É mais ou menos assim em qualquer parte do mundo, parece simples mas não é não.
Tem muita gente também que diz , por isso ou por aquilo, que a vocação do Brasil é o vinho branco.
Bem, como diria um velho conhecido “há controvérsias”
O fato é que nosso vinho branco continua sendo um desconhecido e está muito longe do reconhecimento que o espumante já alcançou, aqui e lá fora.
Outra questão é a seguinte, em qualquer pesquisa que se faça sobre preferências, 80% no mínimo afirmam que preferem o vinho tinto !?
Tem mais, o espumante por melhor que seja, continua sendo uma bebida digamos assim, “temática”, com forte vocação para marcar presença em celebrações, e o vinho branco continua sendo uma bebida de poucos apreciadores, em qualquer lugar do mundo
O que fazer então? simples : vinho tinto de qualidade!
E aí de novo, aquelas mesmas vozes especialistas lá do início, dizem que a uva de melhor comportamento lá pelas bandas do sul é a Merlot.
Que dela resultam vinhos macios, aveludados, frutados, com taninos educados, de média acidez, final elegante, gastronômicos, tudo de bom...
E para comprovar esta tese, basta prestar um pouco de atenção a qualquer degustação, premiação, o que seja, de “melhores tintos nacionais”, 9 entre 10 ou são elaborados com uma mistura de uvas onde a Merlot tem participação relevante no resultado final, ou são mesmo varietais de Merlot.
O que será que estamos esperando para transformar a Merlot na casta emblemática do Brasil? Assim como o Chile fez com a Carmènére, a Argentina com a Malbec, o Uruguai com a Tannat, e em menor proporção mas não menos evidente, a Austrália com a Shiraz, a Nova Zelândia com a Sauvignon Blanc, e a África do Sul com a Pinotage. Todos exemplos de sucesso de marketing e mais importante, de vendas, pode conferir.
Todos eles assim como nós, também produzem seus “vinhos de corte”, eu até diria que é uma tendência em detrimento do mono-varietal, mas quase nunca se esquecem de dar um espaço importante na mistura para sua uva ícone.
Até mesmo entre os europeus, mais acostumados com a origem do vinho do que a casta em si, temos Portugal discutindo se faz o mesmo com a sua Touriga Nacional.
Tempranillo lembra o que?, Espanha, certo parabéns e Riesling, Alemanha, certo muito bem outra vez, então quem gosta de Tempranillo compra o quê, vinho espanhol, e quem gosta de Riesling, vinho alemão, legal né?
E olha que a Merlot está dando sopa, os USA depois de Sideways a trocaram pela Pinot Noir, o Chile aos poucos vem aceitando que seu terroir não é o melhor para ela, fazem coisa melhor com a Cabernet, e com a própria Carmènére, os Merlot argentinos (Patagônia) não entusiasmam, e assim por diante.
Então novamente, raios me partam, porque ainda não colocamos a Merlot no seu devido lugar, e não partimos para obter o reconhecimento que nosso vinho tinto já faz por merecer há algum tempo.
Será que aquele já mencionado espírito de associatividade dos nossos amigos gaúchos e suas incontáveis associações atrapalha mais do que ajuda neste caso, cada uma cuidando dos seus próprios interesses e das suas próprias inseguranças....será?
Como sempre qualquer coisa só vai para frente quando todos dão a sua contribuição, e também mais uma vez posso dizer que nossa parte até que não é lá das mais duras, na próxima vez que for beber um tinto, seja onde for, peça um Merlot brasileiro, na seguinte indique para seu amigo, e assim por diante, fácil né ?
“Viva nosso vinho brasileiro! viva nossa Merlot!” (bem, espero que os bons marqueteiros tenham idéias melhores que eu....)

“Nunc est bibendum”, um Merlot brasuca por favor...
Até breve, Bacco a seu dispor.