sábado, 29 de março de 2014

EpC - "Esse é pra Casar"


A lenda se passa na idade média em Monção às margens do rio Minho, região da “alvarinho” e seus vinhos verdes : “Durante um longo cerco espanhol à cidade, nossa heroína teve a iniciativa de todos os dias fazer pão com a pouca farinha que ainda restava aos famintos habitantes da vila e gritar para os inimigos escutarem “ Deus lo deu”, “Deus lo ha dado”, fazendo com que os espanhóis acreditando na fartura divina de alimento da cidade, desistissem do cerco. Nossa heroína virou mito, ganhou o apelido de Deu la Deu e até virou estátua em Monção.”

Deu la Deu
Vinho Verde - Alvarinho - 2011
Acl. = 13,0%
Monção e Melgaço – Portugal
Bacco – 88 pontos

 Só essa lenda gostosa já seria suficiente para apreciar o vinho, mas ele oferece mais, seco, untuoso, de um dourando lindo, cítrico, aromático, potente e longevo para um alvarinho.
Comprei na Vino do Mercado Municipal de Curitiba, custa por volta de R$90,00

 “Nunc est bibendum”, mesmo  não achando graça na lenda, não perca a oportunidade de beber um bom vinho verde.
Até breve, Bacco a seu dispor

 

Obs: lenda publicada em 8/3/2013 em homenagem ao “dia das mulheres”

quarta-feira, 26 de março de 2014

EpC - "Esse é pra Casar"


Há uma grande variação de preços entre os Amarones que temos por aqui, em princípio em função da maior ou menor tradição do produtor, esse está na faixa inferior, não parece ser dos mais conhecidos, mas não decepciona, o “passito” está lá, presente e agradável.

 Capitel de Roari
Amarone Della Valpolicella – DOC Classico - 2008
Acl. = 15,0%
Marano di Valpolicella - Itália
Bacco – 87 pontos.

 Vem do Vêneto alguns dos vinhos mais populares da Itália, o Valpolicella e o Bardolino estão em todas as pratileiras dos supermercados brasileiros. O Amarone também vem de lá, mas é mais nobre. Esse do Luigi Righetti é bm feito, tem acidez discreta, bom corpo, presença de chocolate com tostados, e um final com aquele amargor elegante, e gostoso.
Comprei em uma Loja do Rio de Janeiro que não me lembro do nome, paguei R$ 165,00 com medo de não me agradar, mas aconteceu o contrário…………

“Nunc est bibendum”, ....um bom início para quem não conhece o Amarone como se deve.....
Até breve, Bacco a seu dispor.

domingo, 23 de março de 2014

EpC - "Esse é pra Casar"


Acho um pouco difícil para qualquer um, antever o resultado de um blend de Tempranillo com Malbec, mas no caso desse Alfa Crux  as coisas ficam mais fáceis “ simplesmente maravilhoso” e ponto final.

 Alfa Crux
Tempranillo – Malbec 2006
Acl. = 15,0%
La Consulta, San Carlos, Valle de Uco - Mendoza – Argentina.
Bacco – 93 pontos.

 José Manuel Ortega desistiu de ser banqueiro para ser vinicultor e nós agradecemos a ele por essa decisão. Seus vinhos são provocadores e não passam despercebidos. Esse blend de colheita manual cuidadosa, de maceração intensa, de malolática em barricas, com uma “crianza” de 20 meses de carvalho e produção limitada é tudo de bom, escuro, intenso, complexo, equilibrado e longo, daqueles que perduram na sua memória por infindáveis minutos gole após gole. Uma obra prima da O Fournier.
Esse vinho estava lá perdido no fundo da minha adega, e infelizmente não me lembro quanto paguei na época, hoje ele custa acima dos R$200,00.......pois é !

 “Nunc est bibendum”, ....aqueles momentos em que você abre a carteira com poucas chances de se arrepender mais tarde.....
Até breve, Bacco a seu dispor.

 

segunda-feira, 10 de março de 2014

"DM" - Dia da Mulher


Mulheres, Mulheres, Mulheres,.....................

Não publiquei nada novo desde o ano passado, e o Carnaval passou! Daqui a pouco é Páscoa,....é o ano correndo como um velocista de 100m.
Nessa minha idade, “a 3ª”, “a melhor”, ou aquela em que eu não preciso ( e não posso) perder tempo com o que não gosto, ...o que for,  isso é um perigo.
Então mãos a obra, coração e mente abertos, motivação em alta, e que tal, paladar afiado!
Eu não podia escolher melhor data para voltar do que o dia em que o mundo considera como “Dia Internacional da Mulher”.
Apesar de já ter dito aqui nessa mesma data em anos anteriores, que eu particularmente vis a vis a postura da mulher na sociedade atual, não enxergo ou valorizo a necessidade de uma data específica, (lá em casa todo dia é dia da mulher), a data tem seu significado e ajuda pelo menos aos mais esquecidos a importância delas nas nossas vidas...
Bem, como nesse blog nós procuramos falar de e sobre vinhos ( mais do que qualquer outra coisa...) eu resolvi prestar minha homenagem às mulheres na pessoa da Jancis.
Fui até uma livraria comprei “Confissões de uma Amante de Vinhos” e li em um fôlego só.
Lógico que a idéia era ir além do “Como degustar Vinhos” do  “Atlas Mundial do Vinhos” e conhecer um pouco da mulher por detrás desses ensinamentos técnicos.
Sendo um inglesa ela procurou caprichar no senso de humor,  e a leitura é leve e fácil na maior parte do livro,  “senso de humor inglês”, naturalmente, dá para entender?, mas é nítido o esforço dela para agradar, característica mais comum na mulher do que nos homens em geral, certo?
O começo duro, de pouca relevância, de situações discriminatórias, de cenários machistas, aparece em vários momentos, mas também estão lá claramente, a delicadeza junto com a determinação, sonho junto com a certeza da vitória, afinal estamos falando de uma mulher!
Jancis também nos mostra em várias passagens como conciliar marido, filhos, carreira, alternando sensações de frustração e de sucesso....em geral uma experiência muito mais próxima das mulheres do que de nós homens.
E finalmente ela fala, explica, e nos ensina um pouco mais sobre o mundo do vinho e sobretudo sobre as pessoas inseridas nesse mundo, com astúcia, e sensibilidade, sutil ou direta, com total discernimento sobre os distintos cenários,....mulher naturalmente!
Enfim, .....parabéns Jancis, parabéns mulheres, o meu respeito para todas vocês!

 
“Nunc est bibendum”, agora só me resta abrir um grande vinho.....
Até breve, Bacco a seu dispor.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Amigos & Amigas nº3


Amigos&Amigas

Indo em frente do jeito que dá, enfrentando as turbulências, tentando vencer o trauma do branco criativo, inspirador, da travada total, será o calor?, vamos de "estrelas brancas", aprecie e mais uma vez, obrigado pela compreensão


Entro no mundo das uvas brancas com a estatística martelando a minha cabeça.
Porque em um país tropical, cheio de sol, futebol, samba e carnaval, ( exagerei ?) só 20% dos cidadãos que  bebem vinhos, preferem o vinho branco ???
Será que estamos acostumados a subestimar os vinhos brancos com afirma Viotti ? Não acho.
Minha conclusão básica é a seguinte “ existe mais vinho branco ruim do que vinho tinto ruim!?” o que acaba  espantando a freguesia........o que você acha?
E por incrível que possa parecer logo a Chardonnay, a rainha das brancas, tem boa parcela de culpa nisso tudo ! 
Francesa famosa, a Chardonnay já foi sinônimo de vinho branco, muito em função da sua versatilidade e adaptabilidade.
Uva boazinha de fácil cultivo, permitiu abusos dos produtores, em especial do Novo Mundo, resultando em um vinho igual, sem personalidade, algumas vezes diluídos e muito sem graça.
Não foram poucas as vezes que me decepcionei com um vinho branco de Chardonnay, o que me levou sem dúvida a preferir sempre que possível um tinto..........
Felizmente e como sempre há exceções ! e algumas delas estão próximas de nós simples mortais
Além é claro da Borgonha e de Champagne  onde ela exibe todo seu charme, podemos encontrar alguns bons exemplares argentinos, chilenos e até brasileiros
A Austrália também é uma referência quando se fala de Chardonnay. Produz brancos madeirados,e também cortados com Sémillon. (Barossa Valey)
Os mais clarinhos ( amarelo palha ), mais aromáticos, são feitos para serem bebidos mais jovens, e apresentam aromas de frutas cítricas, abacaxi e frutas exóticas. Os de amarelo mais intenso (não muito, pode ser defeito) tiveram um breve contacto com o carvalho, são mais finos, podem ser guardados por mais tempo, e são mais opulentos, encorpados, ligeiramente amanteigados, mais gastronômicos...,gosto mais destes !
O comprovado sucesso dos nossos espumantes passa pela adaptação da Chardonnay ao nosso clima lá do Sul, há quem diga até que o Brasil deveria se dedicar aos espumantes e brancos, esquecendo os tintos, sei lá, quem sabe, me parece exagero....(acho que pelo menos a exceção é a Merlot)
Santa Catarina nas suas alturas, tem produzido brancos de Chardonnay elogiados, experimente um na próxima oportunidade

 
SAUVIGNON BLANC

Ame-a ou deixe-a para sempre, não tem meio termo.
Bem tratada produz os vinhos mais harmônicos quando se trata de combinar bebida e comida, até com salada de rúcula e agrião ela combina muito bem ! Quem mais conseguiria ?
Mal tratada passa a ser a maior responsável pela rejeição ao vinho branco, ultrapassa os limites da Chardonnay
Um vinho ruim de Sauvignon Blanc ( e tem muitos por aí ) é  simplesmente “muito ruim” , ácido e amargo, não tem como.......(acidez é a espinha dorsal de um vinho branco)
Um vinho bom de Sauvignon Blanc é simplesmente “ótimo” (equilíbrio entre álcool & acidez). Leve, frutado, refrescante, para ser tomado logo
“Me lembra o filósofo e pensador Rafael Pires, sábio pouco conhecido fora de Pindamonhamgaba onde viveu até os 82 anos “ o que é bom é bom, o que é ruim não presta “ ( Os Caminhos de Baco)
Os de clima mais ameno (NZ, AF ), sugerem uma explosão de aromas frutados, mas com boa acidez para não serem enjoativos, e um floral eloqüente !
Os de clima mais frio (França), apresentam frutas verdes, um gostinho mineral, e final longo e seco ( mais complexos)
Os chilenos que plantam de tudo ainda não chegaram lá , muito menos nós e os hermanos. Se tiver que escolher entre os 3 fique com os chilenos... (Vales de Casablanca, e San Antonio..)
A Sauvignon Blanc está se tornando a uva emblemática da Nova Zelândia, vale à pena investir um pouco mais ($$) e finalmente gostar de verdade de um vinho branco . (região de Marlborough)
Outra boa opção são os frutados Sauvignon’s da África do Sul (região de Constantia e Paarl)
Duas grandes castas, que merecem todo o respeito do produtor

 É isso....estrelas brancas......
“Primum bebere; deinde philosophari"
Nos vemos, Bacco a seu dispor................

Thanks : Viotti, João Roberto,Gasnier, Sergio de Paula Santos...

obs: Publicado originalmente sob o título "estrelas brancas" em Fevereiro de 2011. 

 

 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Amigos&Amigas nº2





PINOT NOIR
 
Amigos & Amigas, não deu ainda, o branco continua, obrigado pela paciência, vamos de Pinot Noir (reloaded), grande abraço, Bacco sem forças................

Na verdade a Pinot Noir tem mais fama e prestígio na teoria, nas conversas de entendidos, do que na prática, com exceção é claro dos fantásticos e distantes ($$$$) Borgonhas tintos ( Cote d’Or) ,e dos mais finos vinhos espumantes da Champanhe (idem, idem) , ambos coisa de outro mundo !
Ou seja, todo mundo fala, poucos bebem, e menos ainda a entendem de verdade !
Os desafios que a Pinot Noir impõe aos produtores é diretamente proporcional à motivação que eles sentem ao assumirem todos os riscos que representa cultivá-la, é uma questão de fascínio pela cepa, e pelo potencial de resultados, imenso podem acreditar
A fama de difícil, imprevisível, apegada ao seu terroir, fez com que seja “sofisticado” digamos assim pedir um Pinot Noir, dá aquela impressão que você conhece e é um apreciador sensível. Aí vem aquele vinho desbotado, ralinho, insosso ( e muitos ainda são assim mesmo) , e você com cara de entendido não deixa a peteca cair, mas por dentro bate aquela saudade do velho Sauvignon escuro, carnudo, cheio de presença.
Quem conhece a Borgonha no seu íntimo costuma dizer que lá são produzidos os melhores Pinot Noir do mundo ($$$$) e também os piores ($), e só, não tem meio termo..........portanto tire suas próprias conclusões.
No Novo Mundo tem muita gente procurando reproduzir os resultados da Borgonha ( os melhores é claro), mas ainda não chegaram lá, o que não invalida a tese de que de tanto em tanto devemos experimentar um Pinot Noir para conferir a evolução (mas não precisa fazer cara de entendido, ok ?)
Vou até arriscar um palpite, o Amayna chileno. (R$ 110,00)

 É isso aí
“Primum bebere; deinde philosophari”
Até breve, Bacco a seu dispor.................................

obs: Originalmente publicado em Jan/2011 ( como o Amayna era barato!!!!)